Tudo o que você deveria saber ou desaprender sobre IAS, ou quase isso.
Olá meus queridos substakers e leitores:
Cês tão bão? Tá tudo bem por aí? Todo mundo ficando rico, vivendo grandes paixões e viajando 20 dias por mês?
É, aqui também não. Então, como sua alma está inquieta, como seu ser está inconstante, vou só te pedir um favor. Antes de rebater o argumento principal do tema principal dessa edição, tenta refletir um pouquinho em tudo o que vou te dizer. Tente perceber o mundo a sua volta. O som dos pássaros, o cair das gotas de chuva, essas parada aí que sempre destacam em filmes e que na vida real todo mundo ignora por estar muito puto da cabeça.
E agora que já te pedi esse favor, vamos lá.
Não, IAS não vão acabar com o mundo.
Eu sei que esse primeiro trecho pode ser inclusive uma decepção pra alguns. Exterminador do Futuro plantou essa sementinha no inconsciente popular lá nos anos 90 e, desde então, todo mundo sonha com a SkyNet transformando seu liquidificador num mini drone decapitador de pessoas.
Mas parte disso também é minha culpa, e também dos divulgadores técnicos da área de TI, e também e talvez até sua.
A verdade é que é fácil falar mal de IAS, pois nos dias atuais \”2025\” elas são a representação de tudo o que há de mais fútil no mercado capitalista global. Bilhões de trilhões de dinheiro ssendo empreendidos em máquinas que levam entre 5 a 10 segundos pra te responder uma coisa que um médico lhe diria em segundos E de forma incorreta, ou Imagens perturbadoras e totalmente erradas, enquanto mais e mais investimentos realmente úteis e urgentes são deixados de lado.
E claro, os líderes dessa empreitada também não são lá as pessoas mais carismáticas ou com melhor embasamento técnico pra te explicar os o quês dos por quês das tecnologias. A partir daí, tudo vira senso comum e, sendo então senso comum, vira ódio comum.
Então, visando te informar um pouco mais e também desmistificar certas coisas, organizei as perguntas mais comuns sobre o tema e as responderei da forma mais simplista e menos técnica possível, afim de esclarecer a sua mente e aliviar a sua alma, ao menos desse medo em específico. Sim, o mundo ainda vai acabar e morreremos todos pelo desastre climático, mas aí cês vão lá reclamar com a Marina.
O que são as atuais IAS? E qual a diferença delas pras antigas?
A diferença se da em 2 aspectos importantes. Aprendizado e resposta.
Antes das atuais IAS generativas, o conceito que tínhamos de IA era, em um resumo porco, um grande software causal. Se tal coisa, então execute tal coisa.
Basicamente o treinamento dessas inteligências se dava por repetição e aprendizado programado. Ela só poderia te responder com base nos dados em que tinha sido treinada e e era incapaz de fazer conexões simples mesmo entre ideias próximas ou parecidas.
Já os atuais modelos mais conhecidos encaixam-se em sua maioria como Inteligências Artificiais generativas. Ou seja. Com base no seu comando ou pergunta \”prompt\” a IA lhe dará uma resposta, que será potencialmente única e personalizada. A mesma pergunta com a alteração de uma única palavra poderá receber uma resposta totalmente diferente.
A coisa também muda em termos de aprendizado. Afinal, por ter surgido anos a frente, os modelos atuais beneficiam-se de uma muito maior capacidade de processamento e de um sistema de aprendizado associativo, que permite que os modelos de IA atuais façam múltiplas associações ao invés das associações simples como se fazia antigamente. O que fará com que perguntas parecidas tenham sempre respostas parecidas, mas nunca iguais.
Calma pessoa da de TI, to simplificando, calma.
O que afinal fazem Chat GPT, Google Gemini, Claude ou Deepseek?
Essas e outras que tenham eventualmente ficado de fora são LLM-S, ou Large Language Models \”Modelos De Linguagem Ampla\”. São sistemas que funcionam por associação direta ou indireta, aprendendo com base em dados prévios. Pense nelas como uma criança de 3 anos, que vai aos poucos associando os objetos do mundo ao seu redor e entendendo para que servem e como funcionam.
Claro, isso tudo em escala gigantesca, chupinhando petabytes de dados de fontes diversas, com e ou sem autorizações \”Dizem\”.
Então elas aprendem conceitos, entendem coisas, sentem ou presenciam emoções?
Não. Os modelos atuais chupinham textos, os processam e criam associações. Simplesmente isso. Nenhum conhecimento novo é gerado, apenas há a interligação \”às vezes incorreta\” dos dados que ela processou. E a partir daí cabem a pessoas humanas aplicarem certos filtros correções ou mesmo indicar a IA o que ela acertou e o que ela errou.
Um modelo de aprendizado de uma IA Generativa não é capaz de a partir de duas ideias desconexas criar uma terceira, como é por exemplo o cérebro humano. No máximo ela vai buscar por conceitos aproximados e criar associações. Essa é inclusive uma das causas das chamadas \”Alucinações\”.
O modelo fez uma associação entre o cantor Elton John e o reinado Britânico e, de repente, Elton John foi o rei da Inglaterra entre 1955 e 2013.
E como esses negócios programam, ou criam imagens?
Da mesma forma que criam textos. Por associação de linguagem.
Um modelo de IA que cria uma imagem, por exemplo, recebe não só a imagem de aprendizado, mas também a descrição detalhada de tudo o que nela há. Cores, objetos, formas, sombras, tudo descrito da forma mais detalhada possível, assim como você também deveria fazer no ALT de suas postagens nas redes sociais.
A partir daí ela faz as mesmas associações que você já aprendeu e, bom, sai criando. Daí vem o ser humano, aplica filtros, correções e ela sai criando de novo. Daí aparece alguma polêmica, tiram ela do ar por dois dias, ela volta e, criando de novo.
O mesmo vale pra IAS que programam. Afinal de contas, linguagens de programação são, antes de mais nada, linguagens. Algumas bem simples inclusive.
O que obviamente não Exime tais sistemas de criar códigos bem errados.
Mas então uma IA não cria algo do zero?
Não, ela não cria nada do zero. Assim como eu e você também não o fazemos. Tudo o que somos ou estamos depende de nossos aprendizados, ambientes que nos cercam, de nossas experiências passadas.
Os modelos de linguagem atuais trabalham por associação, assim como nós, mas em um grau muito menor e menos inventivo. É daí que vem a autoralidade dos humanos que até o momento tais algoritmos não chegam nem perto de ter.
Tá, mas e aí, vou perder meu Emprego pra uma IA?
Não, provavelmente não vai. Mas certamente será precarizado, muito mais do que é agora. Mas aí a culpa nem é da IA.
Como você bem sabe, vivemos num regime econômico que visa o lucro. E justamente por visar o lucro, a alternativa que apresentar o melhor e maior trabalho \”Pelo menor custo\” sempre será a vencedora. Assim sendo, empresas que tinham times inteiros de roteiristas podem demitir 90 % do time e rebaixar os 10 % restante a meros corretores de IA, ou quem sabe revisores de prompt. Ou se o seu emprego de roteirista for mantido, talvez você passe a ganhar menos pra só revisar roteiros gerados automaticamente.
Claro, é horrível ler isso, eu sei. Sobretudo pra quem trabalha nas áreas que sempre são as primeiras a serem afetadas, como artistas e escritores. Não que outras não virão a ser, inclusive. Mas é uma demanda de nosso sistema político econômico atual, não da tecnologia em si.
Em geral o trabalho autoral executado por uma IA tende a ser pior que o de hum humano, até por ser basicamente um amálgama de todos os outros trabalhos gerados por outros humanos que ela usou pra criar essa associação específica.
Mas acho que a indústria não liga muito.
Se IAS vão roubar empregos, é errado eu usar uma pra gerar a minha capinha do Facebook?
Bom, aí é uma decisão ética individual, que não serei eu que poderei responder por você. Há quem prefira pagar o devido valor a um bom artista, e há quem tope usar a criação de uma IA qualquer. O mais importante nesse momento é você saber que você leva o que você paga.
Essas Inteligências gastam mesmo rios de dinheiro em energia?
Sim, isso é verdade. Mas essa não deveria ser a sua principal preocupação.
Todo o esquema de computação atual gasta rios de dinheiro em energia. Os serviços de streaming de jogos, por exemplo, rodam em nuvem, em computadores lá na grandiosa casa do caralho, que por sua vez tem poderosas e glutonas placas de vídeo que bebem preciosos recursos naturais como se fossem catuaba no carnaval. A mesma coisa vale pra sistemas de streaming de áudio e vídeo, pros servidores que hospedam aplicativos e pra quase qualquer coisa online. A internet não foi muito pensada pra otimização de recursos num geral.
IAS são glutonas, claro, mas não fossem elas, haveriam outras aplicações para tais recursos. A solução ideal \”E única possível\” é contar que os algoritmos fiquem mais leves e demandem menor processamento para o aprendizado e para a execução de tarefas.
É justamente por isso que O [surgimento do DeepSeek] abalou tanto o mercado de tecnologia. Por prometer os mesmos resultados com economia de gastos monetários e energéticos na casa dos 95 %.
Fiquei Curioso pra testar uma IA mas não quero fornecer meus dados pra ninguém. Tem como?
Sim, tem como, e é bem simples até. Basta você baixar o LM Studio, instalar, instalar algum modelo e sair usando. O aplicativo é bem intuitivo e não faltam tutoriais na internet. E você pode ver a saída da resposta em tempo real, que dependendo das capacidades de processamento do seu computador, poderá de fato ser bem real e bem tempo.
Não há com o que se preocupar aqui, você apenas baixou o modelo de aprendizado refinado em algum dos computadores com milhares de GPUS que expliquei anteriormente. O que vem pro seu computador é um modelo já ensinadinho, que só precisará de algum processamento pra gerar a resposta mais rápido ou mais devagar. E tudo será local, sem enviar dado pra lugar nenhum.
E só existe a IA generativa?
Não, existem outrros tipos, que são ainda mais complexos de explicar
Há por exemplo a IA preditiva, muito usada em mercados econômicos ou empresas de elevado risco. Estas nada mais são do que avançadíssimos modelos matemáticos/estatíticos que com base em dados coletados geram orientações para o futuro. Por exemplo, com base nas taxas de venda de um certo produto em uma loja, uma IA preditiva pode definir se o preço desse produto deveria subir ou descer de acordo com as datas do ano ou os índices de mercado econômico do país.
Há também IAS de tarefas simples, como por exemplo sistemas de reconhecimento de imagem, sistemas estatísticos simples, chatbots e outros. Em geral, dentro da definição do que é um algoritmo de linguagem (IA), quase qualquer coisa automatizável minimamente personalizável se encaixa. Para este termo recomendo que voc~e faça algumas buscas e leia alguns artigos complexos, esse não é o foco desse texto.
E posso usar uma IA pra Busca?
Não, não pode. Nem deve. Como eu disse, essas atuais IAS generativas são modelos de associação. Elas não reportam fatos como eles são, apenas como os associam. Se você precisa encontrar algo, recomendo o uso do bom e velho Google, o uso do buscador do pato, ou mesmo o Kagi, um buscador pago que é livre de IA.
Sim, buscador pago, é aqui que chegamos em pleno 2025.
E quem é você pra falar sobre isso com autoridade?
Excelente pergunta:
No momento trabalho apenas com 2 projetos envolvendo IA, que foi o que me fez aprofundar meus conhecimentos na área inclusive. Mas tenho pleno domínio técnico das áreas que a envolvem. Trabalho com desenvolvimento de software a 16 anos e, se você quiser buscar pelo meu nome no Google encontrará algumas referências bem divertidas.
Em geral não sou nenhum especialista, mas, bom, diria que sou o sobrinho do tio que entende.
Conclusão.
Meu objetivo com esse pequeno texto foi apenas desmistificar alguns sensos comuns e tranquilizar as mentes mais inquietas. Recentemente debati sobre isso com um grupo de amigos e, como nenhum deles fez um texto sobre isso, bom, sobrou pra mim.
Obviamente algumas explicações não estão tão precisas no texto, afinal eu fiz uma simplificação generalizada. Mas se você que leu quiser fazer quaisquer apontamentos, a caixa de comentários está aí em baixo.
Também obviamente não respondi todas as perguntas que possam existir sobre o tema. Então, se você quiser, deixe suas questões aí abaixo e eu as responderei da melhor forma possível.
Por fim, siga sempre os ensinamentos da figura folclórica mais nova de nossa nação, o ET Bilu.
Busque conhecimento.
