Lá e De Volta Outra Vez. De novo. Versão-definitiva.mp4

Olá pessoa perdida e despreparada. Sim, cá estou eu, pra pela nona vez na internet, anunciar que abri um blog. DE NOVO.

Sim, eu sei, dependendo de quem você for e a quanto tempo está comigo você já cansou dessa conversa. Já cansou da vida e muito provavelmente de mim. É inclusive presunção minha julgar que você esteja lendo.

Ainda assim, relaxa que posso explicar.

Tenho blogs na internet a agora 20 anos. Já escrevi de um tudo por aqui. Tutoriais técnicos, textos autorais e expositivos em demasia, piadas sem graça e sem contexto, tudo. E sempre me incomodou a efemeridade disso tudo, a facilidade de que todo o trabalho de alguns minutos formatando HTML na mão feito um idiota se perdesse a cada migração.

Ao mesmo tempo sempre gostei de escrever. Sobretudo textos longos. Ainda que eu escreva mal e sofra de seríssimas limitações ortográficas e gramaticais.

Por algum motivo sinto algo mágico em abrir uma interface de texto rico e escrever, e escrever, e escrever. Sem precisar torcer a lógica do meu argumento em 300 caracteres “e olha que o BlueSky é bondoso, o Twitter só dava 280”.

Então, munido de muita vontade, nenhum tempo livre e muita falta de aptidão para layouts visuais eu fiz isso aqui. Separei uma pasta no meu servidor, criei um subdomínio, instalei um WordPress, instalei o primeiro tema da lista e importei todos os blogs que já tive e que ainda tenho acesso.

Tem texto do meu perfil antigo do Medium, tem um ou outro do Blogger até, e claro, tudo o que estava no substack.

Aí eu parei pra ler algumas coisas antigas, vi que elas são impublicáveis e terrivelmente escritas e as movi pra um cantinho secreto, do qual ainda estou refletindo se as deveria tirar ou não “provavelmente não”. Mesmo assim, fiquei feliz em resgatar tudo isso.

Existe afinal algo muito mágico em manter o seu espaço na internet. Ser o responsável pela hospedagem, publicação, manutenção, tudo.

Seria utópico eu dizer aqui que a internet está morrendo. Sejamos francos, ela já morreu.

E que não me entendam mal os Substackers de plantão, mas, se a única forma de você convencer o seu leitor a ler o seu texto é mandando pro e-mail dele uma mensagem com 3000 palavras, entenda, a internet morreu, e você também faz pare disso. Eu sei, eu já estive lá. Com meus 59 inscritos, mas, acredite, eu já estive lá.

A questão é que conteúdo segmentado por aplicativo ou protocolo não é internet. O seu texto do Substack não faz parte da internet e me irrita você achar que faz. É prepotência sua. Tente qualquer dia pesquisar por alguma coisa que apareceu no Substack num buscador qualquer, nem precisa ser o Google não. Não parece. Não tem SEO, não é indexável. E se não é indexável não é internet.

O Substack no fim das contas virou um mar de escritores conversando pra si e escrevendo textos pros próprios egos enquanto passam pano pra uma plataforma que promove e fomenta discursos extremistas e nazismo. E aí cabe a mim entender que não sou um escritor e tampouco um desatento, então saí de lá.

O Medium virou o LinkedIn com mais caracteres. Saem de lá coisas tão absurdas que normalmente às sextas separo uns 20 minutos pra ler os textos e rir. Não apenas rir soltando arzinho pelo nariz, ri mesmo. Rir alto, rir forte, rir de sentir dores abdominais e prometer pra mim mesmo que a noite anterior foi a última que pedi o balde de frango frito de 1KG que custa 70 reais e vem com 3 molhos.

E não me entendo mal Mediunners “se houverem”. É só que o seu texto não é assim tão importante. Você não vai mudar a vida com a conclusão que você teve no seu banho pós masturbação matinal. Na verdade ninguém liga. É só mais um espaço fechado em torno de si mesmo com pessoas massageando os egos umas das outras pra que todas tenham seus egos devidamente massageados.

Aí eu até pensei em criar uma newsletter própria. Instalar um sisteminha e, bom, mandar por minha própria conta o e-mail pra caixa de entrada de todo mundo. Talvez fosse uma boa opção, afinal.

Só que aí também eu me deparei com uma verdade incontestável.

Cada vez mais o e-mail tem função corporativa ou de entretenimento. Você espera receber lá o cupom da lojinha que te permitirá comprar alguma coisa com 15 reais de desconto e sentir-se especial ou o agendamento da sua consulta médica pra remoção de órgão extremamente necessário numa das cirurgias mais tensas do planeta.

Em 2025 ninguém mais abre o e-mail casualmente. Simplesmente não acontece.

E diante desse fato seria pura presunção minha imaginar que alguém abriria o MEU E-MAIL, com o MEU TEXTO, escrito do MEU JEITO. VEJAM BEM.

Então eu criei isso aqui.

Escrevo de vez em quando, abre quem quer, continua público pra todo mundo.

Aqui consigo concentrar todas as absurdidades que já ousei publicar “mentira tá faltando um monte” e alguém algum dia pode achar isso e soltar uns “ai ai” enquanto considera se arremessar o próprio smartphone no vaso e dar descarga seria ou não justificável diante da atrocidade que acabou de ler. Ou não também. Fico aqui relegado ao infinito da irrelevância e sou mais uma folha caída na floresta de coisas mortas que virou a internet. A mim isso não incomoda.

O texto acima teve a intenção de ser engraçadinho, apenas. Se você está aqui sou muito grato por sua leitura e, espero muito, de coração, e com várias vírgulas erradas, que você goste do que lerá. Eu só não sabia como apresentar melhor um blog, então fiz isso aqui

Aos Sérios um aviso Sério

Agora é sério pessoal. A internet morreu. Não de forma irrecuperável, mas, morreu. As pessoas consideram buscar no Google uma forma antiga de buscar. Não é incomum alguém que consulta 20, 30, 50 vezes por dia a IA de sua preferência e se satisfaz com o que ela exibe. Cada vez mais será raro o ato de alguém abrir um navegador e clicar em um link. As empresas estão encapsulando os usuários em seus aplicativos e, sem perceber, as pessoas renderam-se a isso.

Se antes o ato de acessar a internet envolvia garimpar artigos legais, ler algo, comentar algo, mandar um link ou só o nome do artigo pro seu colega, hoje você simplesmente cria uma lista, compartilha com seus amigos e quem quiser ver tudo o que você viu e ouviu é só clicar lá. Isso é a morte da interação orgânica.


Se você escreve ou produz qualquer coisa ´ pra uma plataforma fechada, considere abrir isso, ainda que dê algum trabalho. É preciso que haja ao menos o mínimo de contraponto a esse movimento pra que continue havendo pelo menos pra quem quer um espaço livre e fora de encapsulamentos. Seja por questões morais ou técnicas, considere sair do Substack, do Medium, do Spotify. Publique seu próprio blog, hospede seu podcast numa plataforma que seja de seu controle, crie um caminho independente. Nem que seja como uma segunda via, um backup para o futuro.

Afinal, se tudo continuar no ritmo que está será difícil explicar aos nossos sucessores até mesmo o conceito do que foi a internet um dia, tamanha a abstração necessária.

Certamente não serei eu com meu blog de textos inúteis e que envelheceram como leite no Saara a provocar quaisquer mudanças. Mas, se eu puder influenciar alguém que influenciará alguém que fará isso, bom, não custa tentar.

Em breve teremos texto novo aqui, por agora ficam os antigos aí pra quem não conhecia enquanto eu penso se vale mesmo publicar textos de 2014. Nem eu estava pronto pra ler tantas atrocidades.

Até uma próxima jovens, e sigam bebendo água. Mate a IA de sede.

1 comentário em “Lá e De Volta Outra Vez. De novo. Versão-definitiva.mp4”

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